Arautos do Deserto

O Segredo de Triunphus

Parte I

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Os Arautos do Deserto empreenderam uma épica campanha em busca de sua liberdade. Com a ajuda da princesa Rhana e do Oráculo, descobriram uma forma de escapar da bênção-maldição de Triunphus. Depois de muitas semanas de buscas e aventuras, desvendaram em meio às sagradas escrituras, as palavras-chave que permitiriam a eles adentrar o famoso Monolito de Thyatis, vencendo o desafio do deus-das-segundas-chances.

O grupo penetra a magnífica galeria subterrânea, repleta de segredos e ensinamentos ancestrais. Eles viajam por horas por gigantescos túneis, tão largos quanto às ruas da metrópole acima. Painéis de magnífico esmero, repletos de inscrições e mensagens claras como o dia enviavam aos olhos e mentes atentas dos heróis o evangelho de Thyatis de forma impressionante e bela. O deus Thyatis podia ser bondoso, generoso e esplêndido como afirmavam seus devotos, mas acima de tudo, era misterioso, excêntrico e instigante.
Era o tipo de deus implacável com os fracos, os covardes e os que a sua maneira não eram merecedores de seus dons, mas ao mesmo tempo exalava propósito, sabedoria e temperança, estava entre os mais piedosos do panteão.

Os subterrâneos de Triunphus, era na verdade um santuário, construído segundo a vontade desta divindade, com o propósito de revelar sua doutrina, a história de sua relação com a humanidade, e além de tudo, testar a bravura e o poder daqueles que o desafiam.

Os Arautos do Deserto eram poderosos, e a medida que avançavam, superando os desafios, mais lhes era revelado. Quando por fim, venceram os Observadores no covil de Pirrak, muito lhes fora mostrado, e eis o que aprenderam até aqui:

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Quando o mundo era jovem, e o véu da descrença não haviam recaído sobre a face de Arton, nossos deuses visitavam frequentemente o plano material.

Para que as divindades pudessem visitar o mundo recém criado, atravessando a inconcebível distância que nos separava de seus domínios divinais, foram abertos umbrais, passagens além da dimensão, que serviam de entrada e saída para seus avatares, por sua inexorável vontade e propósito.

Thyatis, senhor do fogo e atalaia do destino, ergueu para si um monolito, e dele emergiu no mundo material.

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Sua forma gloriosa e verdadeira causaria arrombos na realidade frágil do mundo material, por isso, recolheu sua plenitude, e assim como os demais deuses, adotou a forma menor de um avatar. Contemplou as belas e pacatas colinas. Ali encontrou tribos de homens e os primeiros halflings, que lhe reconheceram como deus e lhe renderam devido louvor. A presença de Thyatis nesta região tornou parte destes pacatos outeiros em uma cordilheira vulcânica, pois dele é o fogo, para sempre e sempre. Os mortais não entendem a formação de vulcões que sem lógica natural ocupam o norte de um reino de diminutos outeiros e modestos montes.

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O avatar de Thyatis achou por bem ali viver, entre homens simples e pequeninas criaturas. Não pedia nada em troca, apenas fé na ressurreição e profecia. Os homens e mulheres das tribos, pela fé em Thyatis consultavam-no, e ele lhes lia a sorte, lhes revelava o porvir. Pelas mãos milagrosas de seu avatar, os mortos voltavam à vida, e recebiam nova chance. O deus ensinava pessoalmente, pela primeira vez, que a morte poderia ser vencida, e o destino, revelado.

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Mas o tempo passou, o progresso transformou as tribos em aldeias, e as aldeias em vilas. Os anos viraram décadas, e os pacíficos bárbaros da tribo Hongardinn (irmãos dos grifos), os halflings das aldeias beira-rio e alguns colonizadores estrangeiros da valorosa família Theormas uniram interesses e recursos, e formaram uma cidade, que embora pequena, já era a maior do modesto reino rural.

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Por respeito e devoção, consultaram o avatar e patrono, para saber como deveriam batizar a cidade, e assim Triunphus recebeu seu nome, embora na época, seus fundadores não compreendiam plenamente seu profético significado.

Com o tempo, a fé dos homens enfraqueceu, a medida que o comércio e o ouro traziam cobiça, desigualdade e deslealdade entre os filhos dos homens, e dos pequenos halflings. O culto à Thyatis foi cada vez mais mistificado, e por pouco, esquecido. Seu avatar, ainda vivendo em meio deles, agora via um povo urbanizado, prático e descrente, e não mais manifestava abertamente o poder da fênix. Recolheu-se aos lugares escuros, vivendo entre os seus pobres, habitando em tendas pelos becos escuros de suas cidades de desigualdade e crescente crime. Os dons da fênix, pela incredulidade do povo e seu apego às novas religiões hereges, passou a ser privilégio de poucos, apenas àqueles raros fiéis que buscavam os conselhos, profecias e bênçãos das mãos de seu avatar (em sua maioria, pobres e excluídos). A religião de Hynnin começou a estabelecer-se entre os povos de Triunphus. O Trapaceiro clamava sua paternidade à raça dos halflings, e enviava sacerdotes a todos os confins das planícies, ensinando sua religião controversa, pregando o crime, a leviandade, e a vida fácil.

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Mas Thyatis é grandioso, conhece o fim desde o princípio. A bela e orgulhosa ave não se deixa olvidar, nem se permite escarnecer por pecadores. Um dia, a natureza reagiu à insatisfação do deus, e os vulcões decidiram adorar a seu criador e patrono, como deviam fazer os mortais. As montanhas se negavam a conter o calor de seus ventres. Queriam expelir louvor e magma. Adoração em fogo e enxofre.

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O “Olho de Thyatis” maior e mais antiga formação vulcânica da região (que havia surgido quando o avatar, pela primeira vez emergiu do monolito), começou o seu despertar. Sua coluna de fumaça negra tocava o céu, e suas explosões eram ouvidas por toda a pequena cidade. Era o anúncio do fim. Haviam acendido a fúria da Fênix, e nenhum de seus novos deuses parecia capaz de protegê-los.

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Então o povo clamou. Pediram piedade por suas vidas curtas e frágeis. O fogo que rejubilava o coração do deus também queimava a carne e a pele dos mortais. E por ser piedoso e bom, o avatar de Thyatis consentiu. Acalmou as montanhas, calou os vales, conteve o fogo do âmago da terra. E deu aos homens uma segunda chance.

Thyatis, por meio de seu avatar fez juramento com o povo. Enquanto não houvesse entre eles a mentira e o engano, enquanto não houvesse criminosos em seu meio, enquanto a verdade e o bem imperasse entre eles, o fogo e a fúria divina não os consumiria.
Em honra a esta aliança, os moradores de Triunphus erigiram um templo em louvor ao deus da ressurreição e profecia e ofereceram seus filhos mais velhos para serem educados e sagrados como seus sacerdotes e campeões. A partir de então, pequenos crimes eram punidos de forma rígida e exemplar e uma lei severa foi responsável pela quase erradicação de quaisquer forma organizada de crime.

Triunphus erguia-se como um paraíso na terra, um lugar onde o bem e a verdade apaziguavam o coração do deus-patrono.

Esse foi o começo de uma era de muitos milagres e prodígios. Thyatis continuava a habitar no meio do povo, mas agora, seu avatar ocultava-se entre eles, fazendo-se mortal. Cabia agora a seus clérigos e sacerdotes agirem em seu nome, e propagar sua igreja. O avatar de Thyatis, sua forma divina no mundo material não mais era envolta em chamas e glória, mas adotava uma forma mais mundana, e vivia entre eles, sempre vigilante, acompanhando de perto o compromisso dos homens em manter sua promessa. Por meio dele, a ressurreição e a profecia eram promulgados pelos quatro cantos da grande Triunphus, enquanto Krilos, seu sumo-sacerdote, organizava o culto no primeiro templo de seu deus em Arton, encarregando-se de pregar seus dogmas e ajudar na repressão a qualquer tipo de doutrina ou prática criminosa.

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E por isso Thyatis selou a ira do seu maior vulcão. Diretamente de seu mundo de chamas e glória, enviou um Vingador da Montanha, uma criatura de fogo, honra e vingança, que tinha poder para selar a fúria das montanhas. O vingador repousaria para sempre, dentro do vulcão “Olho de Thyatis”. E assim permaneceria a menos que a malícia e a ganância pecaminosa dos homens o fizessem despertar.

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flaviovferreira

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